Últimas atualizações
Vídeos

segunda-feira, outubro 08, 2007

Elites revolucionárias e contra-revolucionárias

Um artigo do dia 28 de setembro, no jornal O Estado de São Paulo, chamou-me a atenção. Seu autor é João Mellão Neto e o título da notícia é "Somos das elites, sim".

Vamos ao fato:

Segue um trecho do artigo:
"Quatro décadas depois, mesmo com a utopia comunista já devidamente sepultada, alguns cacoetes do pensamento esquerdista ainda remanescem. Um deles é este da dicotomia entre um povo bom e generoso e uma elite perversa e individualista.

"Todo raciocínio simplista é eivado de contradições. Os companheiros ainda não se deram conta de que, uma vez no poder - e com amplo controle sobre o Congresso -, são eles, agora, a elite política do País."
O autor bem lembra em que sentido o termo elite se encaixa nesse caso:
"E elite não no sentido de mérito, como referido acima, mas, sim, pelo fato de que são eles a classe dominante da Nação."
Vamos à analise do fato:

No capítulo II, Parte II, do livro RCR, o Professor Plinio Corrêa de Oliveira assim trata do tema "elite":
"Um estudo exato da História nos mostra, com efeito, que não foram as massas que fizeram a Revolução. Elas se moveram num sentido revolucionário porque tiveram atrás de si elites revolucionárias. Se tivessem tido atrás de si elites de orientação oposta, provavelmente se teriam movido num sentido contrário."
Podemos concluir que os revolucionários não são contra a elite em si, mas à ela enquanto contra-revolucionária, ou, ao menos, enquanto represente alguma barreira para eles. Bem sabem que não foram as massas as propulsoras da Revolução, mas sim as elites revolucionárias.

A formação de elites contra-revolucionárias é primoridial. Termino este post com as palavras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:
"Ora, para essa formação, o contra-revolucionário pode estar sempre aparelhado com os recursos de sua ação individual, e pode pois obter bons frutos, apesar da carência de meios materiais e técnicos com que, às vezes, tenha que lutar."

domingo, outubro 07, 2007

Um simples fato ou uma conquista revolucionária?

Neste ano, a grande imprensa divulgou abundantemente uma notícia que deixou o “homem da rua” sem entender o porquê de tanta agitação em torno dela. Quase diríamos uma comemoração.

Vamos ao fato

Na quinta-feira do dia 15 de março, a Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia compareceu à sessão plenária de julgamentos trajando... calça comprida.

Há sete anos o STF liberou o uso de calça para mulheres, mas nenhuma das duas Ministras do Supremo ousou quebrar a tradição secular.

A presidente do STF, Ellen Gracie Northflee (foto abaixo), embora elogiando a atitude da outra Ministra:
“pouco antes de assumir o cargo no STF, em 2000, avisou que seguiria a tradição, em respeito ao "código" segundo o qual a elegância feminina estaria relacionada ao uso de saia ou vestido. "Ainda me apego a códigos démodés" (Cfr. FOLHA ONLINE 16/03/2007)
Vamos à análise do fato

Isso pode parecer algo comum para o “homem da rua”... não para a imprensa, nem para quem tem uma visão "RCR" do fato.

Para entendermos, devemos pegar o aspecto metafísico do acontecimento e então veremos se este é um fato que se caracteriza como revolucionário ou, do contrário, como contra-revolucionário.

Metafísico, dizemos, no sentido etimológico da palavra: meta = além de; físico = matéria; Ou seja, significa algo além do mundo material.

Há o fato físico que é a Ministra usar calça na sessão, mas também há algo além disso. E é por esse algo que a imprensa o noticiou com um destaque especial.

No capítulo VII, Parte I, do livro Revolução e Contra-Revolução, o Professor Plinio Corrêa de Oliveira, descrevendo sobre a essência da Revolução, dá como valores metafísicos dela a igualdade absoluta e a liberdade completa. E duas são as paixões que mais a servem: o orgulho e a sensualidade. A pessoa orgulhosa odeia toda e qualquer desigualdade e, por isso, tende para o igualitarismo absoluto. Ao observar como se traduz nos fatos essa sede pelo igualitarismo, diz ele:
“Igualdade nos aspectos exteriores da existência: a variedade redunda facilmente em desigualdade de nível. Por isso, diminuição quanto possível da variedade nos trajes, (...) nos hábitos etc.”
“Igualdade de almas: (...) Até as diferenças de psicologia e atitude entre sexos tendem a minguar o mais possível.”
Ou seja, a Revolução odeia toda e qualquer desigualdade, inclusive a existente entre os sexos. Daí a tentativa revolucionária de tentar minguar o máximo possível essa diferença, fazendo com que nos aspectos exteriores – nos trajes, no comportamento, etc. – ela quase não apareça. A calça é uma forma de masculinização da mulher.

Outro caráter da Revolução é sua nota liberal no sentido anárquico. Odeia ela toda e qualquer lei; tudo que representar qualquer forma de freio... eis onde ela deita seu ódio metafísico.

Daí podemos entender melhor porque tanta alegria revolucionária ao ver a quebra de um tabu, de algo que representava ao mesmo tempo tradição e desigualdade justa e harmônica.

sábado, outubro 06, 2007

Santo Inácio, exemplo de tática contra-revolucionária

O professor Plinio Corrêa de Oliveira, em seu livro Revolução e Contra-Revolução (RCR), demonstra, em breves linhas, algumas caracteristicas da decadência da Idade Média e aponta, em seguida, como o Humanismo e a Renascença abriram campo para o Protestantismo.

Segundo mostramos em nosso site, no artigo Santo Inácio, Francisco Xavier, Calvino e os Humanistas, o então ambicioso jovem Francisco Xavier - que depois se tornou um grande santo -, admirava os ideais humanistas[1]. Embora católico, Xavier não tinha o discernimento de perceber a ligação íntima existente entre o humanismo e o protestantismo. Santo Inácio de Loyola, seu colega, fez o máximo que podia para alertá-lo dos erros da corrente humanista tão em voga naquela época. Conseguiu finalmente resultado quando fez-lhe "ver o perigo dos professores humanistas, que, sob a máscara de cultura clássica, ocultavam os erros de Lutero e seus sequazes". Santo Inácio, por assim dizer, arrancou o véu dos humanistas diante de Francisco Xavier, e este pôde ver o vulto geral do humanismo.

Muitas lições RCR's podemos tirar desse fato. Ele nos ensina, por exemplo, como devemos agir em face dos inocentes-úteis, como era o caso do Mestre Xavier, que, iludidos de alguma maneira por algum aspecto da Revolução, não conseguem ver para onde estão sendo levados. Há um trecho no livro RCR onde podemos ver com mais clareza o valor da tática contra-revolucionária empregada por Santo Inácio:
"A Revolução tem progredido, como vimos, à custa de ocultar seu vulto total, seu espirito verdadeiro, seus fins últimos.

"O meio mais eficiente de refutá-la junto aos revolucionários consiste em mostrá-la inteira (...). Arrancar-lhe, assim, os véus é desferir-lhe o mais duro dos golpes." (Cfr. Parte II, Cap. V, Item 3 A)
Em outro trecho:
"É preciso saber mostrar (...) a face total da Revolução, em sua imensa hediondez. Sempre que esta face se revela, aparecem surtos de vigorosa reação. (...), o contra-revolucionário deve, com freqüência, desmascarar o vulto geral da Revolução, a fim de exorcizar o quebranto que esta exerce sobre suas vitimas." (Cfr: Parte II, Capítulo VII, Item 3.E)
______________________
[1] A expressão "humanismo" não se refere a "humano", "homem" ou "humanidade", mas deriva do vocábulo latino "humanes", que quer dizer "culto", "erudito". Bem entendido, cultos e eruditos eram apenas os que se deixavam escravizar pelos autores pagãos.