quinta-feira, outubro 11, 2007

A Contra-Revolução e o amor à cruz

Pela ação da Igreja, o homem medieval, no geral, tinha um devotamento especial à cruz e, por isso, amava mais os valores da alma e de tudo quanto fosse necessário para salvá-la. No século XIV:
“(...) começa a observar-se, na Europa cristã, uma transformação de mentalidade que ao longo do século XV cresce cada vez mais em nitidez. O apetite dos prazeres terrenos se vai transformando em ânsia. As diversões se vão tornando mais freqüentes e mais suntuosas.”
Resultado:
“(...) o anelo crescente por uma vida cheia de deleites da fantasia e dos sentidos vai produzindo progressivas manifestações de sensualidade e moleza.

(...) Tudo tende ao risonho, ao gracioso, ao festivo. Os corações se desprendem gradualmente do amor ao sacrifício, da verdadeira devoção à Cruz, e das aspirações de santidade e vida eterna. [1]
Desde o fim da Idade Média até nossos dias, esse anelo cresceu cada vez mais em intensidade. Infelizmente, a sociedade em que vivemos está impregnada dele e a regra geral parece ser a satisfação dos prazeres do corpo.

São Luís Maria Grignion de Montfort (1673 – 1716), ardente missionário francês, percebia, com auxílio da graça, a falta de amor à cruz que tinham os homens de sua época e, para renovar esse amor, escreveu uma “Carta-Circular aos Amigos da Cruz”; nela assim ensina:
“Um Amigo da Cruz é um homem escolhido por Deus, entre 10 mil que vivem segundo os sentidos e a razão, para ser unicamente um homem todo divino[2] e elevado acima da razão[3], e todo em oposição aos sentidos[4], por uma vida e uma luz de pura fé e por um amor ardente pela Cruz.”
Como o orgulho e a sensualidade – principais forças propulsoras da Revolução – dominam a alma quando o homem se desapega do amor à cruz e passa a ter um desenfreado amor a si próprio, São Luiz Grignion recomendava como remédio contra eles a aceitação da humilhação e um amor ao espirito de sacrifício:
“Um Amigo da Cruz é um rei todo-poderoso e um herói triunfante do demônio, do mundo e da carne em suas três concupiscências. Pelo amor às humilhações, esmaga o orgulho de Satanás; pelo amor à pobreza, triunfa da avareza do mundo; pelo amor à dor, amortece a sensualidade da carne.”[5]
Essa descrição muito lembra a pessoa de São Francisco de Assis, um santo suscitado por Deus exatamente numa época em que os primeiros focos dessa decadência começavam a aparecer. Para se ter uma idéia disso, basta ver a oposição ou a incompreensão que ele recebeu. É de se crer que a ação dele tenha retardado o início da processo revolucionário.

Um contra-revolucionário não será autêntico enquanto não for um “Amigo da cruz”.
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Notas:

[1] cfr. RCR, Parte I, Cap III, 5 A;

[2] No sentido "Vivo, mas não eu, é Jesus Cristo que vive em mim" (Gal. 2, 20);

[3] Elevado acima, mas não contrário a reta razão;

[4] A oposição dos sentidos é um tema que será tratado, com um texto muito elucidativo de São Tomás, em um outro post;

[5] Carta-Circular aos Amigos da Cruz, Primeira parte – Excelência da união dos Amigos da Cruz, tradução de Maria Helena Montezuna Pohle, Editora Santa Maria Ltda., Rio de Janeiro, 1954, Censor, p.p. 14, 15 e 16.

Um comentário:

Maximiano Henrique Rebequi dos Santos disse...

Saudações
Concordo com o senhor, mas hoje poucas pessoas entendem o que é isso!
Estou adicionando este link à meu blog sobre Contra-Revolução, blog que criei para simultaneamente aprender e divulgar a Contra-Revolução.Espero que aprove!
Confesso que como autodidata tenho muito o que aprender sobre a Contra-Revolução, o Sou Conservador, já me ajudou nessa terefa!
Obrigado Edson!
http://contrarevolucionariobr.blogspot.com/
Abraços