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quinta-feira, outubro 18, 2007

A Revolução por excelência

O termo Revolução, com inicial maiúscula, designa o processo revolucionário anticatólico que se desenvolveu a partir do fim da Idade Média.

Segue abaixo uma descrição sobre o alvo da Revolução:
"A Revolução tem derrubado muitas vezes autoridades legítimas, substituindo-as por outras sem qualquer título de legitimidade. Mas haveria engano em pensar que ela consiste apenas nisto. Seu objetivo principal não é a destruição destes ou daqueles direitos de pessoas ou famílias. Mais do que isto, ela quer destruir toda uma ordem de coisas legítima, e substituí-la por uma situação ilegítima. E “ordem de coisas” ainda não diz tudo. É uma visão do universo e um modo de ser do homem, que a Revolução pretende abolir, com o intuito de substituí-los por outros radicalmente contrários.
"(...)Com efeito, a ordem de coisas que vem sendo destruída é a Cristandade medieval. Ora, essa Cristandade não foi uma ordem qualquer, possível como seriam possíveis muitas outras ordens. Foi a realização, nas circunstâncias inerentes aos tempos e aos lugares, da única ordem verdadeira entre os homens, ou seja, a civilização cristã.
"(...) Assim, o que tem sido destruído, do século XV para cá, aquilo cuja destruição já está quase inteiramente consumada em nossos dias, é a disposição dos homens e das coisas segundo a doutrina da Igreja, Mestra da Revelação e da Lei Natural. Esta disposição é a ordem por excelência. O que se quer implantar é, per diametrum, o contrário disto. Portanto, a Revolução por excelência.
Como esse processo revolucionário tem como objetivo destruir a ordem por excelência:
"(...) se compreende que esta Revolução não é apenas uma revolução, mas é a Revolução."(Cfr. RCR, Parte I, Cap VII)
Trata-se da Revolução por excelência.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Exemplo de elites revolucionárias

Ao contrário do que nos ensinam nas escolas, o principal motor da Revolução Francesa não foi a massa "oprimida" pelo regime vigente, mas sim elites revolucionárias.
"Um estudo exato da História nos mostra, com efeito, que não foram as massas que fizeram a Revolução. Elas se moveram num sentido revolucionário porque tiveram atrás de si elites revolucionárias. Se tivessem tido atrás de si elites de orientação oposta, provavelmente se teriam movido num sentido contrário." (Cfr. RCR, Parte II, Capítulo II).
Eis algumas das figuras que fizeram a Revolução Francesa:

Maximilien François Marie Isidore de Robespierre (1758-1794)
Advogado e político. Neto de um rico homem de negócios. Completou seus estudos no Colégio Luís, o Grande, da Universidade de Paris.

Georges Jacques Danton (1759-1794)
Advogado e político. Formou-se em Direito na Faculdade de Reims.


Jacques-René Hébert (1757-1794)
Jornalista e político. Filho de joalheiro.

Jean-Paul Marat (1743-1793)
Doutor em medicina e cientista. Médico da guarda pessoal do conde d'Artois.


Marquês de La Fayette (1757-1834)
Aristocrata.


François Noël Babeuf (1760-1797)
Jornalista, filho de militar.


Honoré Gabriel Riqueti, conde de Mirabeau (1749-1791)
jornalista, escritor, político e grande orador parlamentar francês. Filho do Marques de Mirabeau.


quinta-feira, outubro 11, 2007

A Contra-Revolução e o amor à cruz

Pela ação da Igreja, o homem medieval, no geral, tinha um devotamento especial à cruz e, por isso, amava mais os valores da alma e de tudo quanto fosse necessário para salvá-la. No século XIV:
“(...) começa a observar-se, na Europa cristã, uma transformação de mentalidade que ao longo do século XV cresce cada vez mais em nitidez. O apetite dos prazeres terrenos se vai transformando em ânsia. As diversões se vão tornando mais freqüentes e mais suntuosas.”
Resultado:
“(...) o anelo crescente por uma vida cheia de deleites da fantasia e dos sentidos vai produzindo progressivas manifestações de sensualidade e moleza.

(...) Tudo tende ao risonho, ao gracioso, ao festivo. Os corações se desprendem gradualmente do amor ao sacrifício, da verdadeira devoção à Cruz, e das aspirações de santidade e vida eterna. [1]
Desde o fim da Idade Média até nossos dias, esse anelo cresceu cada vez mais em intensidade. Infelizmente, a sociedade em que vivemos está impregnada dele e a regra geral parece ser a satisfação dos prazeres do corpo.

São Luís Maria Grignion de Montfort (1673 – 1716), ardente missionário francês, percebia, com auxílio da graça, a falta de amor à cruz que tinham os homens de sua época e, para renovar esse amor, escreveu uma “Carta-Circular aos Amigos da Cruz”; nela assim ensina:
“Um Amigo da Cruz é um homem escolhido por Deus, entre 10 mil que vivem segundo os sentidos e a razão, para ser unicamente um homem todo divino[2] e elevado acima da razão[3], e todo em oposição aos sentidos[4], por uma vida e uma luz de pura fé e por um amor ardente pela Cruz.”
Como o orgulho e a sensualidade – principais forças propulsoras da Revolução – dominam a alma quando o homem se desapega do amor à cruz e passa a ter um desenfreado amor a si próprio, São Luiz Grignion recomendava como remédio contra eles a aceitação da humilhação e um amor ao espirito de sacrifício:
“Um Amigo da Cruz é um rei todo-poderoso e um herói triunfante do demônio, do mundo e da carne em suas três concupiscências. Pelo amor às humilhações, esmaga o orgulho de Satanás; pelo amor à pobreza, triunfa da avareza do mundo; pelo amor à dor, amortece a sensualidade da carne.”[5]
Essa descrição muito lembra a pessoa de São Francisco de Assis, um santo suscitado por Deus exatamente numa época em que os primeiros focos dessa decadência começavam a aparecer. Para se ter uma idéia disso, basta ver a oposição ou a incompreensão que ele recebeu. É de se crer que a ação dele tenha retardado o início da processo revolucionário.

Um contra-revolucionário não será autêntico enquanto não for um “Amigo da cruz”.
______________

Notas:

[1] cfr. RCR, Parte I, Cap III, 5 A;

[2] No sentido "Vivo, mas não eu, é Jesus Cristo que vive em mim" (Gal. 2, 20);

[3] Elevado acima, mas não contrário a reta razão;

[4] A oposição dos sentidos é um tema que será tratado, com um texto muito elucidativo de São Tomás, em um outro post;

[5] Carta-Circular aos Amigos da Cruz, Primeira parte – Excelência da união dos Amigos da Cruz, tradução de Maria Helena Montezuna Pohle, Editora Santa Maria Ltda., Rio de Janeiro, 1954, Censor, p.p. 14, 15 e 16.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Elites revolucionárias e contra-revolucionárias

Um artigo do dia 28 de setembro, no jornal O Estado de São Paulo, chamou-me a atenção. Seu autor é João Mellão Neto e o título da notícia é "Somos das elites, sim".

Vamos ao fato:

Segue um trecho do artigo:
"Quatro décadas depois, mesmo com a utopia comunista já devidamente sepultada, alguns cacoetes do pensamento esquerdista ainda remanescem. Um deles é este da dicotomia entre um povo bom e generoso e uma elite perversa e individualista.

"Todo raciocínio simplista é eivado de contradições. Os companheiros ainda não se deram conta de que, uma vez no poder - e com amplo controle sobre o Congresso -, são eles, agora, a elite política do País."
O autor bem lembra em que sentido o termo elite se encaixa nesse caso:
"E elite não no sentido de mérito, como referido acima, mas, sim, pelo fato de que são eles a classe dominante da Nação."
Vamos à analise do fato:

No capítulo II, Parte II, do livro RCR, o Professor Plinio Corrêa de Oliveira assim trata do tema "elite":
"Um estudo exato da História nos mostra, com efeito, que não foram as massas que fizeram a Revolução. Elas se moveram num sentido revolucionário porque tiveram atrás de si elites revolucionárias. Se tivessem tido atrás de si elites de orientação oposta, provavelmente se teriam movido num sentido contrário."
Podemos concluir que os revolucionários não são contra a elite em si, mas à ela enquanto contra-revolucionária, ou, ao menos, enquanto represente alguma barreira para eles. Bem sabem que não foram as massas as propulsoras da Revolução, mas sim as elites revolucionárias.

A formação de elites contra-revolucionárias é primoridial. Termino este post com as palavras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:
"Ora, para essa formação, o contra-revolucionário pode estar sempre aparelhado com os recursos de sua ação individual, e pode pois obter bons frutos, apesar da carência de meios materiais e técnicos com que, às vezes, tenha que lutar."

domingo, outubro 07, 2007

Um simples fato ou uma conquista revolucionária?

Neste ano, a grande imprensa divulgou abundantemente uma notícia que deixou o “homem da rua” sem entender o porquê de tanta agitação em torno dela. Quase diríamos uma comemoração.

Vamos ao fato

Na quinta-feira do dia 15 de março, a Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia compareceu à sessão plenária de julgamentos trajando... calça comprida.

Há sete anos o STF liberou o uso de calça para mulheres, mas nenhuma das duas Ministras do Supremo ousou quebrar a tradição secular.

A presidente do STF, Ellen Gracie Northflee (foto abaixo), embora elogiando a atitude da outra Ministra:
pouco antes de assumir o cargo no STF, em 2000, avisou que seguiria a tradição, em respeito ao "código" segundo o qual a elegância feminina estaria relacionada ao uso de saia ou vestido. "Ainda me apego a códigos démodés" (Cfr. FOLHA ONLINE 16/03/2007)
Vamos à análise do fato

Isso pode parecer algo comum para o “homem da rua”... não para a imprensa, nem para quem tem uma visão "RCR" do fato.

Para entendermos, devemos pegar o aspecto metafísico do acontecimento e então veremos se este é um fato que se caracteriza como revolucionário ou, do contrário, como contra-revolucionário.

Metafísico, dizemos, no sentido etimológico da palavra: meta = além de; físico = matéria; Ou seja, significa algo além do mundo material.

Há o fato físico que é a Ministra usar calça na sessão, mas também há algo além disso. E é por esse algo que a imprensa o noticiou com um destaque especial.

No capítulo VII, Parte I, do livro Revolução e Contra-Revolução, o Professor Plinio Corrêa de Oliveira, descrevendo sobre a essência da Revolução, dá como valores metafísicos dela a igualdade absoluta e a liberdade completa. E duas são as paixões que mais a servem: o orgulho e a sensualidade. A pessoa orgulhosa odeia toda e qualquer desigualdade e, por isso, tende para o igualitarismo absoluto. Ao observar como se traduz nos fatos essa sede pelo igualitarismo, diz ele:
“Igualdade nos aspectos exteriores da existência: a variedade redunda facilmente em desigualdade de nível. Por isso, diminuição quanto possível da variedade nos trajes, (...) nos hábitos etc.”
“Igualdade de almas: (...) Até as diferenças de psicologia e atitude entre sexos tendem a minguar o mais possível.”
Ou seja, a Revolução odeia toda e qualquer desigualdade, inclusive a existente entre os sexos. Daí a tentativa revolucionária de tentar minguar o máximo possível essa diferença, fazendo com que nos aspectos exteriores – nos trajes, no comportamento, etc. – ela quase não apareça. A calça é uma forma de masculinização da mulher.

Outro caráter da Revolução é sua nota liberal no sentido anárquico. Odeia ela toda e qualquer lei; tudo que representar qualquer forma de freio... eis onde ela deita seu ódio metafísico.

Daí podemos entender melhor porque tanta alegria revolucionária ao ver a quebra de um tabu, de algo que representava ao mesmo tempo tradição e desigualdade justa e harmônica.

sábado, outubro 06, 2007

Santo Inácio, exemplo de tática contra-revolucionária

O professor Plinio Corrêa de Oliveira, em seu livro Revolução e Contra-Revolução (RCR), demonstra, em breves linhas, algumas caracteristicas da decadência da Idade Média e aponta, em seguida, como o Humanismo e a Renascença abriram campo para o Protestantismo.

Segundo mostramos em nosso site, no artigo Santo Inácio, Francisco Xavier, Calvino e os Humanistas, o então ambicioso jovem Francisco Xavier - que depois se tornou um grande santo -, admirava os ideais humanistas[1]. Embora católico, Xavier não tinha o discernimento de perceber a ligação íntima existente entre o humanismo e o protestantismo. Santo Inácio de Loyola, seu colega, fez o máximo que podia para alertá-lo dos erros da corrente humanista tão em voga naquela época. Conseguiu finalmente resultado quando fez-lhe "ver o perigo dos professores humanistas, que, sob a máscara de cultura clássica, ocultavam os erros de Lutero e seus sequazes". Santo Inácio, por assim dizer, arrancou o véu dos humanistas diante de Francisco Xavier, e este pôde ver o vulto geral do humanismo.

Muitas lições RCR's podemos tirar desse fato. Ele nos ensina, por exemplo, como devemos agir em face dos inocentes-úteis, como era o caso do Mestre Xavier, que, iludidos de alguma maneira por algum aspecto da Revolução, não conseguem ver para onde estão sendo levados. Há um trecho no livro RCR onde podemos ver com mais clareza o valor da tática contra-revolucionária empregada por Santo Inácio:
"A Revolução tem progredido, como vimos, à custa de ocultar seu vulto total, seu espirito verdadeiro, seus fins últimos.

"O meio mais eficiente de refutá-la junto aos revolucionários consiste em mostrá-la inteira (...). Arrancar-lhe, assim, os véus é desferir-lhe o mais duro dos golpes." (Cfr. Parte II, Cap. V, Item 3 A)
Em outro trecho:
"É preciso saber mostrar (...) a face total da Revolução, em sua imensa hediondez. Sempre que esta face se revela, aparecem surtos de vigorosa reação. (...), o contra-revolucionário deve, com freqüência, desmascarar o vulto geral da Revolução, a fim de exorcizar o quebranto que esta exerce sobre suas vitimas." (Cfr: Parte II, Capítulo VII, Item 3.E)
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[1] A expressão "humanismo" não se refere a "humano", "homem" ou "humanidade", mas deriva do vocábulo latino "humanes", que quer dizer "culto", "erudito". Bem entendido, cultos e eruditos eram apenas os que se deixavam escravizar pelos autores pagãos.